Ferroviários recusam <br>privatização da EMEF

MOBILIZAÇÃO No plenário de representantes dos trabalhadores que tem lugar hoje, no Entroncamento, vão ser decididas acções contra a anunciada privatização parcial da EMEF e por melhores salários.

A formação de ACE vai abrir caminho à alienação definitiva

A reunião é promovida pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário e pela Comissão de Trabalhadores da EMEF. No centro da discussão vão estar as perspectivas para o futuro da empresa de manutenção, do Grupo CP, e o processo de negociação colectiva de aumentos salariais e do Regulamento de Carreiras, iniciado no dia 26 de Janeiro.

Manter a EMEF a trabalhar apenas para a CP e criar dois ACE (agrupamentos complementares de empresas) com parceiros privados, para o serviço ao Metro do Porto e ao sector de mercadorias, é o «cenário» preferido pelo Governo e pela administração da CP, admitiu o SNTSF, no comunicado em que anunciou o plenário de hoje.

Mas o sindicato da Fectrans/CGTP-IN não aceita tal opção de resposta a exigências do Tribunal de Contas. «A constituição de ACE é uma privatização parcial» e, a concretizar-se tal modelo, a EMEF «vai alienar parcialmente (por agora) parte importante da sua actividade, ou seja, dá o primeiro passo para mais tarde esta parte sair definitivamente da empresa».

Insistindo que «o regresso ao futuro passa pelo retorno da EMEF na sua totalidade à CP», o sindicato rebateu a opinião do presidente da administração da CP, de que esta solução «traria mais constrangimentos legais à contratação do que aquela que existe hoje

para a EMEF». Ora, contrapõe o SNTST, «este é um não problema, porque as leis não são imutáveis» e «desde que haja vontade política do Governo na defesa dos interesses nacionais», «certamente, na actual correlação de forças na Assembleia da República, isso seria possível».

O sindicato lembra que, ao longo do tempo, a mobilização e a luta dos trabalhadores impediram a destruição da EMEF e conseguiram que esta ainda se mantenha no quadro das empresas públicas. «Mas é preciso ir mais além» e «é urgente dotar a EMEF de todos os meios para cumprir a sua função», de modo a garantir «todos os padrões de segurança e fiabilidade dos comboios em Portugal».

«Há um futuro para a EMEF, o que falta é vontade política deste Governo que, nesta

matéria, vai dando sinais de prosseguir uma política de destruição do caminho-de-ferro preconizada e desenvolvida pelos anteriores governos», sublinha o sindicato.



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